sábado, 6 de junho de 2009

Crónica de um dia que chegará.



Raio de Chatiçe

Pois, eu sem nada que fazer a ver a novela e, tu a dormir ! Foi assim que nos despedimos, e tu zás, lembras-te adormeces-te sentada no maple ?

Estava-mos dentro do carro naquele dia invernoso de Dezembro e chovia e, como chovia meu Deus ! Até que o cenário era bonito, ali junto ao paredão em Belém com o Tejo como pano de fundo, eu cheguei e estacionei o nosso carro novinho em folha, é bem catita, o nosso carro, e foi comprado com o dinheiro da venda daquelas terras que eram da tua mãe, lembras-te ?

Nós para aqui sentados inertes a babar-nos com o leite (que tu trouxeste naquele termo preto) e bocados de bolo de arroz que compramos no Pingo Doce de Alcântra -"eu já te avisei que não quero migalhas dentro do carro"- disse eu imperativo- não é por nada, mas eu passei duas horas da parte da manhã a lavar e aspirar o nosso carro novo e, depois este reumático acaba comigo, estou para aqui, que nem posso com dores nos bicos de papagaio e o nosso carrinho tem de ser estimado pois de certeza que não chega-mos lá para comprar outro.

Estávamos nós a acabar o nosso bolinho de arroz quando quase sem eu preceber deu-te a "moleza" do costume (é habitual nestes dias de inverno) e num ápice estavas a dormir e a roncar que até assustaste um cãozito que por ali passava a cheirar os pneus novos do nosso carrinho, e eu para ali a olhar o vazio que a comtemplenção do rio porpociona, de vez em quando lá passava um barquito(mas esta vista já não era aquilo que era) é uma chatice nesta idade assim sem mais nem menos ficar-mos com o célebro assim vazio, parado, como a nossa velhice.

2 comentários:

Emigrante disse...

A tristeza da velhice...

Mas é tão triste já não existir velhice...

Beijos

Teresa

ergela disse...

Teresa a velhice não tem que ser sempre assim, triste e desorientada, este texto resulta de um caso verídico aqui e ali ficcíonado.


Beijo meu.