
Ontem ao fim da tarde, o meu telémovel tocou, era um familiar a dar-me a feliz notícia :
- Épa! Já és tio !
Foi-me explicando as peripécias do parto, que ao que parece não foi nada fácil, e de rajada, informou-me :
- É um pilas, e tem 4.200 kg, está todo bem, se quiseres podes vir até aqui, a família está cá toda.
Como nestas coisas, como noutras, manda o meu bom senso familiar, lá peguei na família e fomos até ao hospital, ver esses rapagão (com aquele peso todo, coitada da mãe, por isso passou os últimos quinze dias da gravidez deitada) . Lá chegamos ao piso, e ao quarto aonde estava o mais recente membro do clã, e exceptuando as gargalhadas, e os "chipitis"-óra que o menino era parecido com o pai; da mãe ( só o nariz) dizia a avó da parte do pai ; não senhor! É parecido é com a mãe, não vê ? Dizia a mãe da parturiente. Enquanto estavam nisto, dispus-me a ver finalmente o meu sobrinho a muito custo, tal era o "engarrafamento" (parecia político em campanha eleitoral a dar canetas e aventais) de famíliares a disporem-se para ver o "crianço", depois de muitos "salamandrecos" (fica sempre bem nestas alturas de engarrafamento pediátrico) lá consegui finalmente ficar frente a frente com o meu sobrinho, eu que sou pai duas vezes, senti um arrepio na coluna vertebral, credo! Nunca tinha visto criatura mais enrrugada (os meus filhos nasceram com a pele direitinha e alva, mas (que Deus me perdoe!) é um ser a meio caminho entre um Et e um Gramilin (tenho como certo, que nem todas as crianças à nascença são anjos,eu próprio segundo dizem não era um exemplo de beleza humana, pois nasci com um peso parecido) não quero ofender ninguém, mas toda aquela orda de gente a gabar as virtudes e a beleza do meu sobrinho, e eu para ali, a blasfemear a boa parecença do nascituro.
Saí do hospital deveras preocupado, será que com a idade ando a perder o sentido da beleza estética humana, ou estou a ficar insensivel até com aqueles do meu sangue, ou realmente toda aquela gente estava ali só para fazer um "jeito" para ser agradável.